Ela acolheu o tempo como ninguém mais.
Defronte muitas opções, o senhor do infinito
somente se sentia em paz, quando ao seu lado,
para compartilhar um fluxo de eventos,
inundados de reflexões internas,
despreocupado com questões triviais...
Ninguém era tão íntimo do tempo quanto ela.
Infelizmente, seus pensamentos e sentimentos,
que se escondiam sob aquela pele pálida,
acompanharam-na pela eternidade, deixando-nos
órfãos de uma beleza misteriosa sem igual.
Gostaria de ter visto aquela mulher doce e silenciosa
a caminhar por aquelas colinas, enquanto ouvia o vento
frio
acariciar seu rosto, sussurrando-lhe fragmentos
de percepções, que só ela conseguia desvendar.
Não há fim! Não, a existência de um fim não é
compatível com aquele gênio sublime, que um dia
caminhou por esta terra cheia de gente miserável...
A sensibilidade de Emily sabia conviver em paz
com a razão e o sentimento, dando-lhe o poder de
ajustar o tempo e o espaço para desvendar as minúcias,
que a vida esconde das pessoas comuns, ou indignas...
Quantos mistérios e prazeres eu poderia encontrar por detrás
daquele semblante professoral?
Ela não se rendeu a dogmas ou regras, que nos impedem
de sonhar e refletir sobre as sutilezas, que se
escondem entre
as brechas do pensamento, com às quais dialogava em
particular
ao caminhar por aquelas frias colinas — ela amava sua
família;
porém, sentia-se, verdadeiramente livre, quando mergulhava
nas profundezas de sua própria mente —
ela também amava a solidão.
Quem sabe? Emily tornara-se uma voz invisível, que
vagueia
de tempos em tempos, a inspirar a intuição de seres despertos
a
compreender a sensibilidade, com à qual podemos nos
salvar.
Senhorita Bronte: mulher de beleza singular com
um olhar transcendental, discretamente benevolente,
à qual a vida não precisou dar-lhe muito tempo
para que pudesse deixar-nos um magnífico e imensurável
legado.
Mulher silenciosa com lábios delicados e reclusos...
Seria um privilégio tocá-los...
Poema de Heider Broisler - traduzido da obra Obscure Narrative: A Poetry Collection - que também consta na obra Júlia & O Despertar de Íris e 25 poemas.
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