quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Emily







Ela acolheu o tempo como ninguém mais.

Defronte muitas opções, o senhor do infinito

somente se sentia em paz, quando ao seu lado,

para compartilhar um fluxo de eventos,

inundados de reflexões internas,

despreocupado com questões triviais...

Ninguém era tão íntimo do tempo quanto ela.

Infelizmente, seus pensamentos e sentimentos,

que se escondiam sob aquela pele pálida,

acompanharam-na pela eternidade, deixando-nos

órfãos de uma beleza misteriosa sem igual.

Gostaria de ter visto aquela mulher doce e silenciosa

a caminhar por aquelas colinas, enquanto ouvia o vento frio

acariciar seu rosto, sussurrando-lhe fragmentos

de percepções, que só ela conseguia desvendar.

Não há fim! Não, a existência de um fim não é

compatível com aquele gênio sublime, que um dia

caminhou por esta terra cheia de gente miserável...

A sensibilidade de Emily sabia conviver em paz

com a razão e o sentimento, dando-lhe o poder de

ajustar o tempo e o espaço para desvendar as minúcias,

que a vida esconde das pessoas comuns, ou indignas...

Quantos mistérios e prazeres eu poderia encontrar por detrás

daquele semblante professoral?

Ela não se rendeu a dogmas ou regras, que nos impedem

de sonhar e refletir sobre as sutilezas, que se escondem entre

as brechas do pensamento, com às quais dialogava em particular

ao caminhar por aquelas frias colinas — ela amava sua família;

porém, sentia-se, verdadeiramente livre, quando mergulhava

nas profundezas de sua própria mente —

ela também amava a solidão.

Quem sabe? Emily tornara-se uma voz invisível, que vagueia

de tempos em tempos, a inspirar a intuição de seres despertos a

compreender a sensibilidade, com à qual podemos nos salvar.

Senhorita Bronte: mulher de beleza singular com

um olhar transcendental, discretamente benevolente,

à qual a vida não precisou dar-lhe muito tempo

para que pudesse deixar-nos um magnífico e imensurável legado.

Mulher silenciosa com lábios delicados e reclusos...

Seria um privilégio tocá-los...

Poema de Heider Broisler - traduzido da obra Obscure Narrative: A Poetry Collection - que também consta na obra Júlia & O Despertar de Íris e 25 poemas.

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

O Pequeno Jardim

 

A luz do sol ilumina timidamente a janela,

dando-lhe uma esperança ilusória.

Seus olhos brilham, disfarçando uma dor difusa que

supera seu limite físico — e que, por vezes, suaviza-se.

O desejo que alimenta o corpo frágil daquele menino

sentenciado a viver numa cadeira de rodas,

aprisionando sentimentos nobres e minimalistas,

que tentam motivá-lo a soltar as mãos da Solitude —

amiga inseparável que o acompanha desde

o parto sofrido, que desviveu sua pobre mãe.

Se não fosse a serena e silenciosa Solitude —

quem lhe mostraria os segredos que insistem

em se esconder entre a luz e a sombra?

O isolamento abrira seus olhos para mundos

deslumbrantes escondidos em velhas páginas de livros tão belos.

No entanto, o menino também queria partilhar sonhos;

imaginava-se tocando em todas as coisas.

Queria saciar a insaciável ânsia que nasce do pensamento

e antecede o toque.

O menino pensativo torna-se capaz de apreciar

o movimento da vida que se agita num simples jardim,

habitado por flores e insetos radiantes,

que lhe sorriem todas as manhãs, mesmo quando chuvosas.

Seus braços atrofiados lutam para girar as rodas da velha cadeira

em direção à janela que dá vista à pequena floresta cheia

de vidas insignificantes.

‘Por que a segurança que lhe dou entre estas paredes não acalma

sua mente?’ pergunta Solitude, toda vez que o menino se inclina na janela

para apreciar o jardim.

‘Por que minhas reflexões não acalmam seu coração?’ pergunta Solitude,

toda vez que o menino se apoia na janela para observar

as crianças, brincando felizes na rua, como se o céu descesse à terra.

Através de uma pequena fresta de luz,

ele pode ver o tempo dizer ‘adeus’.

As folhas caem das árvores…

os insetos socializam no jardim…

O menino quer viver além das páginas dos livros.

Deseja dar vida aos desejos que a Solitude não consegue entender —

extrapolar sua limitação existencial,

que o reduz a pensamentos e observações.

A Solitude é uma amiga incapaz de olhar o mundo através da janela.

Poema de Heider Broisler - traduzido da obra Obscure Narrative: A Poetry Collection - que também consta na obra Júlia & O Despertar de Íris e 25 poemas.

Site Pessoal

Poemas entre Barras

 

A dor da sentença ainda pulsava quando

a porta da cela fechou-se, carregando para longe

o sonho de esperança que ilude os desamparados.

A insignificância daqueles que sempre foram destruídos

pela vida, não encantou os olhos frívolos do juiz;

empatia e segregação habitam no mesmo espaço.

A aflição é imensurável até para quem constrói

suas histórias em lugares fétidos cheios de

maltrapilhos desesperados e sorridentes;

a liberdade é o único alimento daqueles que nada têm.

Homens e mulheres do júri (pretos e brancos) não se

sensibilizaram com as evidências que deveriam ter lançado o

inocente de volta às ruas frias do abandono,

desfigurado por indivíduos invisíveis (indesejáveis) aos olhos

daqueles, que não afundaram sob as regras do jogo.

A prisão não escolhe amigos;

muros de concreto doem mais que a indiferença;

a violação de um inocente é a pior de todas as misérias!

Poema de Heider Broisler - traduzido da obra Obscure Narrative: A Poetry Collection - que também consta na obra Júlia & O Despertar de Íris e 25 poemas.

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O Despertar de Íris - Capítulo: O Falecido

Um homem com oitenta e poucos anos falecera em um dos apartamentos do condomínio — dois andares abaixo do apartamento onde residia a celebri...