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O Pequeno Jardim

  A luz do sol ilumina timidamente a janela, dando-lhe uma esperança ilusória. Seus olhos brilham, disfarçando uma dor difusa que supera seu limite físico — e que, por vezes, suaviza-se. O desejo que alimenta o corpo frágil daquele menino sentenciado a viver numa cadeira de rodas, aprisionando sentimentos nobres e minimalistas, que tentam motivá-lo a soltar as mãos da Solitude — amiga inseparável que o acompanha desde o parto sofrido, que desviveu sua pobre mãe. Se não fosse a serena e silenciosa Solitude — quem lhe mostraria os segredos que insistem em se esconder entre a luz e a sombra? O isolamento abrira seus olhos para mundos deslumbrantes escondidos em velhas páginas de livros tão belos. No entanto, o menino também queria partilhar sonhos; imaginava-se tocando em todas as coisas. Queria saciar a insaciável ânsia que nasce do pensamento e antecede o toque. O menino pensativo torna-se capaz de apreciar o movimento da vida que se agita num...

Poemas entre Barras

  A dor da sentença ainda pulsava quando a porta da cela fechou-se, carregando para longe o sonho de esperança que ilude os desamparados. A insignificância daqueles que sempre foram destruídos pela vida, não encantou os olhos frívolos do juiz; empatia e segregação habitam no mesmo espaço. A aflição é imensurável até para quem constrói suas histórias em lugares fétidos cheios de maltrapilhos desesperados e sorridentes; a liberdade é o único alimento daqueles que nada têm. Homens e mulheres do júri (pretos e brancos) não se sensibilizaram com as evidências que deveriam ter lançado o inocente de volta às ruas frias do abandono, desfigurado por indivíduos invisíveis (indesejáveis) aos olhos daqueles, que não afundaram sob as regras do jogo. A prisão não escolhe amigos; muros de concreto doem mais que a indiferença; a violação de um inocente é a pior de todas as misérias! Poema de Heider Broisler - traduzido da obra Obscure Narrative: A Poetry Collectio...