O Pequeno Jardim
A luz do sol ilumina timidamente a janela, dando-lhe uma esperança ilusória. Seus olhos brilham, disfarçando uma dor difusa que supera seu limite físico — e que, por vezes, suaviza-se. O desejo que alimenta o corpo frágil daquele menino sentenciado a viver numa cadeira de rodas, aprisionando sentimentos nobres e minimalistas, que tentam motivá-lo a soltar as mãos da Solitude — amiga inseparável que o acompanha desde o parto sofrido, que desviveu sua pobre mãe. Se não fosse a serena e silenciosa Solitude — quem lhe mostraria os segredos que insistem em se esconder entre a luz e a sombra? O isolamento abrira seus olhos para mundos deslumbrantes escondidos em velhas páginas de livros tão belos. No entanto, o menino também queria partilhar sonhos; imaginava-se tocando em todas as coisas. Queria saciar a insaciável ânsia que nasce do pensamento e antecede o toque. O menino pensativo torna-se capaz de apreciar o movimento da vida que se agita num...